dimanche 15 novembre 2009

Esqueci meu título matador


Penso, logo, existo (ou deveria dizer: desisto)? Se essa máxima de Descartes for verdadeira, minha ânsia por existir deve ser tão gigantesca que meu cérebro não é capaz de conter. Afinal, não consigo ficar um segundo sequer sem matutar alguma coisa, por mais minúscula ou inútil que seja.
Não fosse a minha completa falta de tato ou inteligência social isso talvez fizesse de mim uma grande pensadora, daquelas que sai por ai dando palestras e escrevendo livros comentadíssimos e sempre citados. O problema é que minha memória é um caos e sempre que eu resolvo passar para o papel meus insights tudo parece tão banal e desnecessário que não sigo adiante. Ou, acabo fazendo outra viagem e fugindo de tudo o que pretendia escrever, pois, meu cérebro já se desconectou daquele primeiro pensamento e os neurônios estão fazendo conexões outras, totalmente opostas ou fora de propósito.
O que poderia ser uma vantagem (ter um cérebro sempre pensante), acaba sendo uma tragédia por que começo a ler uma coisa e num piscar de olhos fujo daquelas linhas e passo a delirar em meio a outro assunto.
Como se não bastasse, o fato de pensar demais me causa extremo tormento também quando decido comprar algo de alto custo. Minha criação não me ensinou a
decidir por conta própria, sem saber antes tudo o que pode ou não dar errado depois desta compra. Minha mãe era o sonho de qualquer criança (que ainda não tem consciência do valor das coisas). Para ela tudo era possível. Ainda que ela nos tivesse ensinado quanto cada coisa custava e qual o valor que tínhamos disponível, sempre que queríamos muito algo, ela arrumava um jeito de suprir nossas necessidades, nem que isso a obrigasse a trabalhar triplicadamente. Em compensação, meu irmão que desde criança só pensava em como obter lucros financeiros (ele vendia os engradados do meu pai e tudo o mais que via pela frente, ainda quando tinha uns 10-12 anos) vivia me impelindo a não ter ambições já que não tínhamos condições de saná-las. Assim, desde cedo eu tive que tentar descobrir em que patamar se encontrava o meu desejo, entre o “tudo-pode” e o “nada-pode”. Consequência disso é a minha total falta de noção para lidar com preços. Sempre acho tudo muito caro e, ao invés de valorizar as coisas, valorizo mais o dinheiro. O que me faz poupar loucamente e nunca saber como usar a poupança depois. Por mais que eu precise de algo e tenha condições de comprar, sempre fico confabulando se aquilo é bom o suficiente ou se vale mesmo o quanto custa. Assim, vou perdendo as oportunidades por medo de me arrepender depois. Por estas e outras que, mesmo sem computador em casa há mais de uma semana, ainda não comprei um bendito notebook que livrará meu namorado do tormento de levar de um lado para outro o dele.
Calma, meu amor. Uma hora eu me decido!


Ilustração: Kevin Dart

jeudi 12 novembre 2009

Eu poderia...

Eu podia estar matando, eu podia estar roubando, mas preferi vir aqui atualizar meu blog e me afastar o máximo possível de camas para não passar mais uma noite dormindo das 19h30 às 22h30. Sei que deveria estar lendo coisas para o meu artigo final da Pós, ou, no mínimo, fazendo meus exercícios de Latim. Mas, fazer o quê?, a coisa não tá fluindo. Começo a ler e durmo! Um saco. Então, resolvi postar algumas musiquinhas francesas que descobri no SingStar (a nova paixão do meu namorado). Espero que gostem.

Allô le monde - Pauline
(não pude anexar o clipe, o pessoal não liberou a incorporação. Blérg!)


Ce jeu - Yelle
(o clipe é muito engraçado!!!)

lundi 19 octobre 2009

A dama no espelho:

Trabalhos de aula, às vezes, são bastante interessantes e úteis. Não apenas por nos trazerem informações que jamais buscaríamos senão pela (bendita) tarefa, mas também para atualizar o blog quando você anda sem tempo para isso, devido à quantidade de leituras, provas e trabalhos que tem a fazer. Então, compartilho com vocês a minha parte de um trabalho sobre três contos de Virginia Woolf.


reflexos e reflexões

Virginia Woolf começa seu conto A dama do espelho: reflexos e reflexões, advertindo ao leitor de que não se deve deixar espelhos pendurados em casa. Em seguida apresenta-lhe uma sala. Um cômodo com características humanas às quais refletidas por este espelho se transformam – oferecendo uma realidade mais verdadeira do que a vista no/do local. Se no aposento a vida parece circular, no seu reflexo “as coisas tinham parado de respirar e jaziam imóveis no transe da imortalidade”. Assim, a autora vai indicando o seu ponto de vista de forma metafórica, para revelá-lo mais claramente ao final do conto.
Do espelho é possível ver, além da sala, parte de um jardim no qual a proprietária da casa, a sra. Isabella Tyson, colhe flores. Enquanto isso, alguém a observa fazendo elucubrações sobre sua vida e apresentando-a como uma misteriosa solteirona rica, que viajava muito, possuía diversos amigos e da qual sua mobília saberia mais a seu respeito do que qualquer pessoa. Afinal, comparam-se ali os armários repletos de cartas com os próprios sentimentos, sensações e emoções vivenciadas pela sra. Tyson.
O observador, que na verdade é a própria sala, tenta descobrir o que se encontra nas novas cartas que são depositadas sobre a mesa. Para ele, elas parecem plaquinhas gravadas com a verdade eterna e que se abertas revelariam “tudo sobre Isabella e também sobre a vida”. Ao final, contudo, não será preciso nada disso para se elucidar o mistério. Pois, no percurso de volta para a casa, todas as ilusões sobre a vida daquela senhora vão se desfazendo ao passo de que sua imagem começa a ficar mais lúcida no espelho.
Assim, entendemos que “ninguém deveria deixar espelhos pendurados em casa” pois eles nos mostram a realidade, desnudam os indivíduos que se atrevem a ficar em sua frente. Da mesma forma como toda aquela quimera que se criou em torno da personagem é desfeita quando ela se deixa mostrar pelo espelho.

Ilustração? Bebel Callage

lundi 12 octobre 2009

O MELHOR presente (no dia das crianças)


Há um ano o dia das crianças havia caído em um domingo. Na sexta-feira anterior meu PC deixara de funcionar. Desesperada, no sábado, fui à casa de uma amiga (Lu) aproveitar-me de sua conexão, além, é claro, da ótima companhia, já que não tivera naquela semana (consequência do feriado) aula na Pós.
Conversa vai, conversa vem, decidimos sair para dançar. Eu, que teria de desmarcar um encontro (o qual ocorreria na segunda) devido ao conserto do computador, resolvi apenas remarcá-lo, convidando o garoto engraçadíssimo que conhecera no dia 20 de setembro à sair com a gente.
Um outra amiga (Ale) – à qual tínhamos (o garoto e eu) em comum – jurava que havíamos nascidos um para outro, ainda que mal nos conhecêssemos - o que, tenho que admitir, não acreditava, nem queria comprovar. Porém, no decorrer de algumas conversas virtuais e leituras mutuas de blogs a vontade de descobrir se ela estaria com a razão foi maior.
E lá estava eu, convidando o garoto para sair. Depois, dançando com ele e completamente perdida, sem saber o que fazer ou como agir naquela noite. Foram muitas horas tentando descobrir sinais de reciprocidade, sem nada perceber. Quando, então, começa a tocar New York, New York e sou convidada a dançar mais de perto. A partir daí, fomos nos aproximando cada vez mais e acabamos abraçados por (muitos) longos minutos. O beijo só aconteceria após a despedida da Lu, que antes de ir embora dissera a ele para cuidar bem da sua amiga.
Um ano se passou e aquele garoto engraçadíssimo continuou cuidando MUITO BEM de mim. Descobrimos que a Ale (nossa cupida) tinha toda a razão e que nascemos, de fato, um para o outro.
Claro que nem tudo foram flores neste tempo e é exatamente isso que torna tudo tão real e verdadeiro, além de imensamente ESPECIAL. É por tudo isso que não me canso de dizer que você é o grande amor da minha vida. JE T'AIME TOUJOURS, JE T'AIME TROP, mon petit cochon!!!!

Ilustração: Jana Magalhães


Coisa linda: "resposta" do meu amor ao meu texto!

Pra quem sempre achou que iria terminar a vida sozinho acorrentado em um porão cheio de ratos recebendo um punhado de ração a cada dois dias, foi com um misto de estranheza e euforia que, há exatamente um ano, eu criei coragem e tasquei um beijo literalmente meia-boca naquela que então eu ainda não sabia ser a mulher da minha vida.
Muitos beijos, amassos quentes, sangue e carnificina depois, eis-nos aqui, agora, celebrando no dia 12 de outubro – além do aparecimento da Nossa Senhora e do dia dos mini-adultos cruéis – o nosso aniversário de namoro. Toda a minha vida eu achei que nunca iria me entregar tão fácil assim pra ninguém, nem muito menos utilizar a expressão ‘meu amor‘ para me referir a uma pessoa que supostamente seria perfeita e supriria todas as minhas necessidades e carregaria o meu filho no ventre e cuidaria de mim até o dia em que morrêssemos dois velhinhos abraçados em um banquinho na varanda de uma casa no campo. Mas a vida tem esse jeitinho de esfregar na nossa cara aquele tipo de coisa que desprezávamos com todas as nossas forças anteriormente, e o faz de um jeito sempre furtivo e enlouquecedor.
Se tem uma coisa que eu aprendi nesse último ano foi que a gente nunca deve debochar da desgraça alheia e nem dizer que nunca faria tal ou tal coisa. Não é a declaração mais romântica ou socialmente aceitável a se fazer em uma data comemorativa de tamanha significatividade, mas a minha véia vai entender o espírito da coisa (assim espero). Afinal, orgulhamo-nos de não sermos o típico casal de questionário da Capricho, com seus comportamentos estereotipados e prazos de validade para afetos e relações sexuais (um ano e bombando, gurizada), que acabam levando muitos cristãos ao suicídio ou (o que é pior) aos livros de auto-ajuda.
Parágrafo único de declaração amorosa aberta ao público: Minha véia, nem preciso dizer que te amo mais do que tudo (clichê 1). Saiba que eu fui treinado para lidar com as adversidades da vida (isso inclui DRs e brigas sanguinolentas) e não vou desistir de ti nem que tu te esforce ao máximo (não é todo cara que tem coragem de dizer isso para uma pisciana, mas eu estou aqui, dando a cara a tapa). Tu me fez conhecer quase todas as emoções que um ser humano pode experimentar (às vezes em um único período de 30min), e foi contigo que eu aprendi a chorar feito uma menininha pré-pubescente e a não me envergonhar disso. Te ver sorrindo pela manhã diariamente me faz pensar duas vezes antes de levantar da cama e reencenar a chacina da Candelária (clichê 2), e muita gente tem a agradecer por isso. Agora eu tenho quem me defenda de pessoas chutadoras de cadeira no cinema e dos operadores mal servidos sexualmente do telemarketing da NET. Tu é o pedaço de mim que estava faltando sem que eu me desse conta disso por 22 anos (clichê 3), e por isso eu ainda estou aprendendo a lidar com o fato de ter alguém pra cuidar (meus tamagotchis sempre morreram de fome, desculpa). Temos muito o que melhorar e, com certeza, juntos, iremos atingir a perfeição e dominar o mundo. Te amo pra sempre, porque tu é o amor da minha vida e eu sou o da tua (clichê 4); porque eu te mereço e tu me merece (ambos inserimos a cruz no ânus e giramos, infelizmente), e agora não tem pra mais ninguém. Te amo muito demais, minha véia com o sorriso mais lindo mundo.
Pra terminar, preciso agradecer a duas pessoas muito especiais que contribuíram para o desfecho feliz dessa história: à Ale, nossa cupida e grande operadora de milagres, a quem devemos o imprescindível fato de termos nos conhecido no dia 20 de setembro do ano passado; e à Lu, que incentivou desde o início o nosso relacionamento e me incumbiu da simples tarefa de cuidar bem da amiga dela (tenho me esmerado muito, tu nem tem idéia de quanto).

lundi 21 septembre 2009

Só porque a gente adora...

Relicário (Composição: Nando Reis)

É uma índia com colar
A tarde linda que não quer se pôr
Dançam as ilhas sobre o mar
Sua cartilha tem o A de que cor?

O que está acontecendo?
O mundo está ao contrário e ninguém reparou
O que está acontecendo?
Eu estava em paz quando você chegou

E são dois cílios em pleno ar
Atrás do filho vem o pai e o avô
Como um gatilho sem disparar
Você invade mais um lugar
Onde eu não vou

O que você está fazendo?
Milhões de vasos sem nenhuma flor
O que você está fazendo?
Um relicário imenso deste amor

Corre a lua porque longe vai?
Sobe o dia tão vertical
O horizonte anuncia com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por esta noite

Porque está amanhecendo?
Peço o contrario, ver o sol se por
Porque está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for

Quem nesse mundo faz o que há durar
Pura semente dura: o futuro amor
Eu sou a chuva pra você secar
Pelo zunido das suas asas você me falou

O que você está dizendo?
Milhões de frases sem nenhuma cor, ôôôô...
O que você está dizendo?
Um relicário imenso deste amor

O que você está dizendo?
O que você está fazendo?
Por que que está fazendo assim?
...está fazendo assim?

Ilustração: Bebel Callage

vendredi 18 septembre 2009

Jogo dos Sete erros (quem imita quem?)

Será que a grana 'tá tão curta que estão dividindo designers?


Via Uno




Datelli

lundi 14 septembre 2009

Apenas mais um texto (vazio)


A hora de mudar a capa do livrinho ali do lado passou há tempos, mas minha ausência no mundo virtual me impedia. Foram tantas coisas lidas no semestre passado,e tantas coisas por ler nesse que fiquei sem tempo ou mesmo vontade de mexer aqui. Queria ler mais para falar melhor sobre as coisas. Porém, se for esperar é provável que não comentarei nada. Então... lá vamos nós.
Estou lendo Madame Bovary a conta-gotas. Confesso que sou uma leitora um tanto lerda e quando não consigo me envolver na trama essa lentidão se agrava. De qualquer forma, quarta-feira terá uma aula dedicada a Gustave Flaubert e sua “obra prima”, assim ficarei sabendo tudo o que aconteceu com a insatisfeita Emma. Aliás, já soube que ela morre no final e é provável que vários leitores tenham ficado em êxtase com isso. Fato é que o ritmo do livro não agrada muito e uma vida insossa menos ainda (ta, eu sei que to ainda na segunda parte... mas, não sei não). Talvez na quarta eu descubra o porquê de tanta apreciação a este livro (embora acredite que somente quando eu o ler em francês veja alguma beleza real). Implicância com os clássicos é um saco. Mas, fazer o quê.

Contento-me em saber que a insatisfação não se dá com todos. Afinal, muitos já se salvaram. Um deles é Dom Casmurro. Depois de ver a minissérie da Globo e ter ficado maravilhada com aqueles cenários e a forma narrativa, me entreguei a Machado de Assis e encontrei nele um possível escritor favorito. As críticas que ele fazia a outros livros e escritores também são bastante interessantes. Sempre muito bem embasadas e gostosas de ler, tanto que nem mesmo os autores criticados por ele – como Eça de Queiros – ficaram de todo chateados. Se tivesse mais tempo para me dedicar a leituras extras adoraria ler mais coisas dele. O fato é que depois de entrar no curso de Letras minha lista de obras a ler só tem aumentado, ainda que minhas horas de leitura também estejam no mesmo ritmo. Quanto mais leio, mais coisas tenho por ler, o que acaba me perturbando um pouco. Mas, um dia eu chego lá.


Ilustração: Silja Goetz